A relação entre o descarte inadequado de resíduos, os alagamentos e os desafios das mudanças climáticas foi tema de uma atividade com estudantes do ensino médio da Escola Estadual Anísio Teixeira, em Natal. Realizada em sala de aula, a palestra integrou as ações do Projeto de Mudanças Climáticas nas escolas Prefeitura do Natal, em parceria com o Projeto RIOMA “Plantando Raízes”.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) em parceria com a secretaria de Educação (SME), o Projeto Mudanças Climáticas nas Escolas leva ações de educação climática a estudantes da rede municipal em conjunto com a Rede de Monitoramento Hidrológico e Climático, que instalou 118 pluviômetros em 32 escolas municipais e bacias de drenagem em todas as regiões administrativas da cidade.
Esta é a primeira ação realizada com alunos da rede estadual. A participação do RIOMA trouxe ao encontro a discussão sobre a separação dos materiais recicláveis e sua importância para o trabalho dos catadores. A conversa com os estudantes destacou como o cuidado com os resíduos pode contribuir tanto para a limpeza urbana quanto para a geração de renda.
Com a mensagem “Plantando Raízes”, o RIOMA divulga atividades dos Guardiões do Potengi que associam conscientização ambiental e cultura, incluindo coleta seletiva, reciclagem, palestras, mutirões de limpeza, reflorestamento e proteção do rio e da mata.
A atividade abordou a importância da coleta seletiva e da reciclagem e sua relação com as mudanças climáticas, com atenção aos impactos das chuvas no ambiente urbano. Em seguida, a equipe da Semurb discutiu a importância do monitoramento climático e das iniciativas voltadas ao planejamento e à segurança da cidade.
O coordenador do Plano Municipal de Mudanças Climáticas, Carlos da Hora, abriu a participação da secretaria e destacou o papel da educação na construção de uma cidade mais preparada para enfrentar os desafios ambientais. “A gente sabe que a educação é fundamental para a transformação na sociedade e pra gente ter uma cidade melhor para se viver”, afirmou.
E também explicou como as escolas podem contribuir com a rede de monitoramento. Segundo ele, nas unidades parceiras que recebem equipamentos, professores e estudantes podem participar do envio das informações utilizadas pela equipe técnica.
“A proposta associa o acompanhamento das chuvas à realização de palestras sobre educação ambiental e mudanças climáticas. Existe a possibilidade da escola receber um equipamento e integrar essa rede, conforme o interesse da direção”, disse.
Na sequência, a meteorologista da equipe da Semurb, Glenda Carvalho, e a estagiária Yasmim Vieira, estudante de Meteorologia, apresentaram a importância da rede de monitoramento climático de Natal, que permite acompanhar os eventos de precipitação e identificar, em milímetros, quanto chove em cada local.
De acordo com Glenda, a destinação incorreta do lixo pode agravar a ocorrência de alagamentos. “Alguns fatores agravam os alagamentos, como a impermeabilização do solo e a destinação inadequada de resíduos sólidos”, disse. O debate reforçou a importância do descarte correto para evitar o acúmulo de lixo nos sistemas de drenagem.
A equipe também apresentou o trabalho de monitoramento volante, “o Transecto Móvel”, veículo equipado com uma miniestação meteorológica contendo termohigrômetro, barômetro, sensores de CO₂ e sistema GPS. O equipamento serve para medir temperatura, umidade, pressão atmosférica e material particulado. A iniciativa complementa a rede de acompanhamento com a coleta de informações nas quatro regiões administrativas de Natal.


